segunda-feira, 12 de abril de 2010



I






A hora, que marca o Sol, diz-me que o dia (ser omnipresente que nos ilumina) está de partida.


As águas, ensanguentadas, que vejo à minha frente em breve estarão negras. É o sangue derramado por demónios.


A ausência de cor perturba-nos os sonhos, leva-nos a acreditar no mal e suas criaturas.


Enquanto estas ideias me surgem, fechos os olhos e viajo…


Entro num espaço gelatinoso, almofadado com espinhos. A luz é inconstante e pálida, faz crescer e diminuir as sombras. A sua cadência cria movimentos e dá-me a sensação que todos estes vultos, que flutuam à minha frente, parecem querer se esconder. Estarão incomodados com a minha presença?...


Resolvo sentar-me no chão, noto então que é frio e gorduroso, sinto-me colado! É assim permaneço enquanto observo, atentamente, tudo o que me rodeia. Várias sombras dançam entre o chão e as paredes, criando formas que parecem ter alma. Parecem querer esgueira-se entre os cantos. Algumas delas tornam-se gigantescas outras mais pequenas, algumas são escuras e outras claras. No entanto uma das sombras desperta-me a atenção, move-se de maneira diferente de todas as outras. Tento segui-la. Ao faze-lo, olho para o tecto, onde vejo dois seres tridimensionais, mas não muito diferentes dos vultos que observara antes.